Taxas de juros que caem, oferta de crédito que aumenta.
Na empolgação de obter financiamento para comprar
a casa própria, é preciso abrir o olho para que
gastos "secundários" não surpreendam o
bolso com um peso maior que o esperado.
Despesas como as de certidões, de ITBI (Imposto sobre
Transmissão de Bens Imóveis) e com taxas administratiovas
cobradas pelos Bancos devem entrar no planejamento inicial para
a aquisição do imóvel - o orçamento
costuma crescer, em média, 8%.
Na compra de um imóvel usado, a lista de "gastos
ordinários" começa com a avaliação
do bem. "Se há pedido de crédito para um imóvel
de R$ 200.000,00, o Banco menda um perito para checar se esse
é realmente o seu valor", explica Fernando Fornicola,
diretor administrativo da Aabic (Associação de Administradoras).
"Quem paga pela avaliação é o mutuário,
que desembolsa cerca de R$ 300,00", calcula.
O caminho dos dispêndios passa em seguida pela checagem
do "nome limpo" do pretendente. "Quando entrega
sua documentação no Banco, o solicitante gasta,
em média, R$ 400,00 para obter a aprovação
de seu cadastro", pontua Fornicola.
As taxas administrativas, previstas no contrato, podem supreender
quem não ler com atenção todas as cláusulas.
"Alguns Bancos cobram até uma taxa de risco de crédito",
observa Elaine Macedo Shioya, consultora jurídica da Associação
Nacional dos Mutuários. "Como o imóvel hipotecado
já é garantia contra inadimplência, essa tarifa
não deveria existir. O mutuário pode pedir que o
banco a retire", orienta.
Certidões - A analista de pessoal, Luciana
Kiss, conta que financiou um apartamento em janeiro deste ano,
mas ainda não pôde se mudar. Motivo: despesas inesperadas
"comeram" o capital guardado para mobiliá-lo.
"Gastei muito com certidões, pois seu prazo é
de 30 dias e, como a construtora do apartamento demorou muito
para liberar outros documentos necessários para fechar
o contrato, eu tinha de tirá-las de novo à medida
que iam vencendo", relata. Além disso, afirma, a demora
no processo fez com que a construtora aumentasse o preço
do apartamento, dizendo que ele havia se valorizado. Esse incremento,
somado aos R# 30,00 "de certidão em certidão",
fez com que o "imprevisto" batesse nos R$ 6.000,00,
contabiliza Kiss.
Antonio Malaquias, gerente de crédito imobiliário
do Banco Mercantil do Brasil, reforça que "a documentação
inicial pedida pelo Banco é custeada pelo comprador".
Ela inclui certidões negativas de débito e a matrícula
atualizada do imóvel. "Há mutuário que
"enrola" 12 meses para assinar o contrato por conta
do ITBI (imposto de 2% sobre o preço do imóvel)",
acrescenta.
A "via-crucis" do bolso inclui a escritura, que custa
"de 1% a 2% do valor do bem", segundo Carlos Eduardo
Duarte Fleury, superintendente-geral da Abecip (Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário
e Poupança).
Fonte: Folha de São Paulo - 03/09/2006