Com a ameaça da inflação, bancos já aumentam tarifas de crédito de imóveis

Muita gente que financia um imóvel deseja pagar o mesmo valor mensal nos 20 ou 30 anos de duração do plano - por mais que os preços no supermercado ou no posto de gasolina sejam remarcados.

Mas, quem quer essa garantia precisa se apressar: os bancos começam a alterar as taxas dos financiamentos com parcelas fixas, em que não há correção de valores ao longo do tempo por um índice como a TR (Taxa Referencial).

Essa movimentação se explica pela divulgação do relatório trimestral da inflação Focus, realizada na semana passada pelo Banco Central.

Ele aponta a tendência real de aumento dos juros neste ano - a expectativa do mercado é que cheguem a 14,25%.

Os melhores negócios desse cenário atual de alerta estão nas instituições que criaram linhas com taxas pré-fixadas como aposta no mercado estável e ainda não as atualizaram.

"Se pensarmos em um cenário inflacionário, os financiamentos com taxas pré-fixadas são atrativos neste momento. Mas, os bancos já começam a ajustá-las", avalia Emerson Piovezan, diretor de gestão da FPS Negócios Imobiliários.

Foi o que aconteceu com o Banco Bradesco, que alterou no último mês de 12,5% para 13% as taxas oferecidas para imóveis do SFH (Sistema Financeiro de Habitação). O Banco Real também elevou sua taxa de 13% para 13,2% em junho.

A elevação, cconsiderada pequena frente às expectativas de juros do mercado, pode demonstrar duas realidades, segundo economistas e consultores entrevistados pela Folha.

Uma seria a redução do lucro por parte dos bancos, que superestimaram suas taxas no início das operações; a outra, a manutenção das taxas no patamar em que estão para aproveitar a grande demanda por crédito imobiliário - que bateu recorde de 20 anos em maio.

Competitividade

"Acredito que os bancos não compensarão a alta da Selic (juros) nas taxas porque há uma competitividade grande entre eles", considera Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

A segurança apresentada pelo plano com taxas fixas atraiu Rafael Vendramini. O analista firmou o contrato para comprar seu apartamento na planta em abril. "Escolhi pela estabilidade. Com a taxa pré-fixada você sabe o valor das parcelas sem ficar à mercê de uma alta de juros", justifica.

 

Fonte: Folha de São Paulo - Texto:Cristiane Capuchinho - 29/06/2008

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