Comprar Cotas de Imóveis na Bolsa
rende mais que Aluguel
Alugar imóvel para ter renda extra se sofisticou: ganhou
status de aplicação na Bolsa de Valores. Trata-se
de fundos imobiliários, lançados há menos
de uma década no Brasil.
As cotas de um ou mais empreendimentos - geralmente shoppings,
edifícios de escritórios, flats ou hospitais - podem
ser compradas por pessoas físicas ou jurídicas,
que passam a ter participação nos ganhos com a locação
de seus espaços.
Em relação ao investimento em casa, apartamento
ou sala para alugar, há vantagens. "Não é
preciso comprar um imóvel inteiro", diz Martim Fass,
da Administradora Rio Bravo. E costuma render mais.
Há duas possibilidades de compra de cota: na emissão
primária (lançamento de um novo fundo) ou no mercado
secundário (no pregão da Bolsa). No primeiro caso,
há um valor mínimo de investimento, que pode ser
de R$ 1.000,00, mas o piso costuma ser de R$ 10.000,00. "Não
há uma regra", explica Rodrigo Machado, da Administradora
Brazilian Mortgages. No mercado secundário, a flexibilidade
de valores é maior. É possível comprar uma
única cota de R$ 100,00, por exemplo. Porém ela
vai custar mais do que isso, pois dependerá da negociação
com o vendedor.
O ágio na compra é um problema deste tipo de investimento.
"Há poucos fundos imobiliários na Bolsa",
diz Fass. Dos cerca de 70%, um terço é de varejo
- podem ser comprados por pessoas físicas e nenhum é
aberto: quem não adquiriu cotas no lançamento só
poderá fazê-lo no pregão.
Sem manutenção - Uma cota de R$
100,00 do Shopping Pátio Higienópolis está
sendo negociada a R$ 150,00. "Vendo amanhã se quiser",
fala o médico Paulo César da Silveira, que adquiriu
cotas do Shopping na emissão primária - que costuma
ser divulgada em veículos de comunicação.
"Não tenho de me preocupar com manutenção",
diz, em comparação com a compra de imóvel
para alugar. "Além disso, não há incidência
de Imposto de Renda sobre o rendimento, que gira em torno de 1,25%
ao mês", complementa.
A boa notícia é que, com o aquecimento do mercado,
as administradoras de fundos planejam emissões de cotas
de novos empreendimentos ainda no primeiro semestre. "Haverá
lançamento entre junho e julho", estima Fass, da Rio
Bravo.
Texto: Edson Valente - Editor-assistente de Imóveis
da Folha.
Aplicação Imobiliária tem risco
baixo
Tradicionalmente, imóvel próprio é sinônimo
de segurança. Assim, nada mais lógico que o fundo
imobiliário ser um investimento de baixo risco.
Mesmo que o empreendimento fracasse - o centro comercial fique
às moscas, por exemplo - secando a receita dos aluguéis,
"sobrará o patrimônio do edifício, na
pior das hipóteses", fala Rodrigo Machado, da Brazilian
Mortgages.
"O imóvel é intocável. Diferentemente
de acionistas de empresas, o fundo imobiliário não
herda dívidas", compara.
A rentabilidade de um fundo imobiliário costuma ficar
entre 0,6% e 0,8% mensais, segundo o economista Miguel de Oliveira,
vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos
Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
"Mas é difícil precisar o valor", observa
a economista Amaryllis Romano, da Consultoria Tendências.
"Varia muito. Pode ser menos arriscado, gera ganhos menores
que os de outros fundos, como CDBs (Certificados de Depósito
Bancário)", complementa.
O perfil do investidor, caracteriza a economista, é similar
ao de quem compra um imóvel para alugar. "Alguém
que não seja muito arrojado, um investidor conservador
de ações, que não vai precisar de dinheiro
amanhã", define.
Para aumentar mais ainda a segurança do negócio,
Martim Fass, da Rio Bravo, sugere averiguar quem são os
construtores e incorporadores - se são empresas sólidas,
idôneas.
"Os investidores preferem um empreendimento já pronto
a um outro que esteja em construção", lembra
Machado.
Se um prédio comercial é alugado para uma única
empresa, o risco é maior. "Se ela tiver algum problema,
isso vai se refletir diretamente na rentabilidade do cotista",
diz.
Além do fundo imobiliário, outra opção
de investimento são os CRIs (Certificados de recebíveis
Imobiliários), títulos de renda fixa com rendimento
atrelado a operações no mercado imobiliário.
"É uma alternativa mais direcionada a grandes investidores",
destaca Machado. "As emissões partem geralmente de
R$ 300 mil".
Texto: Edson Valente - Editor-assistente de Imóveis
da Folha
Aluguel gera rendimento maior que o da Poupança
Para investidores do mercado imobiliário que assistem
ao aumento da demanda, sobretudo por apartamentos de um e de dois
dormitórios, a locação pode ser um novo vilão.
Em 2007, de acordo com o Secovi-SP, a rentabilidade média
do imóvel para aluguel como investimento bateu nos 10%
anuais ou 0,8% mensais - mais que o rendimento da poupança,
de 0,6% ao mês.
Os usados são os que oferecem maior rentabilidade: seu
aluguel chega a 1% ou mais do valor de compra - apartamentos novos
são alugados, em média, por 0,7% de seu valor total.
Mas, apesar da boa perspectiva, ainda há aspectos que
afugentam os mais cautelosos.
"A Lei do Inquilinato e as dificuldades de tirar o inadimplente
do imóvel não atraíam os investidores, e
isso ainda representa um medo geral", avalia a pesquisadora
do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da
USP, Eliane Monetti.
Ela explica que não é possível prever o
que acontecerá em dois ou três anos, quando os muitos
lançamentos vendidos no último ano forem ocupados.
"Hoje, esses compradores esperam por suas chaves em imóveis
alugados, o que também aumenta a concorrência pela
locação", raciocina.
"Por outro lado, as melhorias nos processos jurídicos
de proteção ao proprietário voltam a atrair
investidores para o setor, que passam a olhar mais a locação
voltada às classes média e média baixa",
conclui.
Busca de Oportunidades - Do lado do locador,
analistas recomendam alguns caminhos para economizar no aluguel.
Para Wilson Gomes, consultor da ABMM (Associação
Brasileira dos Moradores e Mutuários), que prevê
"preços maiores e dificuldades de locação
para 2008", a dica é ficar no contrato anterior para
não sentir o peso do mercado aquecido.
Tendo nascido e crescido no Butantã, a publicitária
recém-casada Elen Coutinho Cavalcante, não pretende
deixar o bairro. "Queremos uma casa, e aqui a oferta é
melhor, e os preços, menores", justifica.
Já Paulo Henrique de Oliveira, advogado, desistiu de alugar:
"quero ficar em Pinheiros, onde o aluguel do tipo de apartamento
que procuro sai por R$ 1.800,00, em média; a prestação
do mesmo imóvel não ultrapassará R$ 2.200,00,
o que torna a compra mais atrativa".
Texto: Giovanny Gerolla - Colaboração para
a Folha de São Paulo
Fonte: Jornal Folha de São Paulo - 10/05/2008